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patriciencias.com

Qual ferramenta de IA usar em cada tarefa do professor?

Você abre o ChatGPT.

Depois lembra que poderia fazer aquilo no Google Gemini.

Aí pensa: “Espera… talvez o Gemini Notebook seja melhor.”

E, quando percebe, já está com três abas abertas tentando decidir em qual Inteligência Artificial deveria trabalhar. 😂

Se você se identifica, talvez esteja cometendo um erro bastante comum: escolher primeiro a ferramenta e só depois pensar na tarefa.

Eu prefiro fazer exatamente o contrário. Antes de abrir qualquer IA, pergunto:

O que eu preciso fazer agora?

  • Criar?
  • Pesquisar?
  • Trabalhar a partir de um material que já tenho?
  • Analisar?
  • Transformar conteúdo em outro formato?
  • Organizar um trabalho que continuará durante semanas?

 

A resposta pode mudar qual ferramenta faz mais sentido. E já adianto uma coisa: não existe uma vencedora absoluta nessa comparação.

O ChatGPT, Google Gemini e Gemini Notebook, por exemplo, possuem áreas de sobreposição cada vez maiores. Recursos que antes diferenciavam claramente uma plataforma hoje aparecem, de alguma forma, nas outras.

Por isso, pensar que “ChatGPT serve para X, Gemini para Y e Gemini Notebook para Z” está ficando simplista demais.

Ainda assim, cada uma possui características que podem tornar determinados fluxos de trabalho muito mais interessantes para nós, professores.

Então vamos fazer uma comparação pensando na vida real?

Antes de tudo: as três ferramentas não fazem exatamente o mesmo trabalho

Imagine três situações.

Na primeira, você diz:
Preciso criar uma atividade investigativa sobre vacinação para meu 7º ano.

Tenho 35 alunos, muitos apresentam dificuldade de leitura e quero trabalhar análise de evidências.

Na segunda:

Preciso pesquisar informações atualizadas sobre cobertura vacinal no Brasil e depois organizar esses dados para uma aula.

Na terceira:

Tenho uma apostila, três artigos e um PDF do Ministério da Saúde. Quero trabalhar especificamente a partir desses materiais.

Percebe? O assunto é o mesmo. Mas a natureza da tarefa mudou. É justamente aí que começamos a escolher melhor.

Quando eu abriria o ChatGPT

Eu vejo o ChatGPT principalmente como um ambiente de criação, raciocínio e desenvolvimento de ideias.

É onde eu começaria quando ainda tenho algo meio nebuloso na cabeça e preciso conversar até transformar aquilo em uma proposta concreta.

Por exemplo:

Quero fazer alguma atividade diferente sobre sistema nervoso, mas minha turma não se envolve muito com atividades escritas.

A partir daí, podemos explorar possibilidades, descartar algumas, aprofundar outras e construir a atividade progressivamente. Isso faz bastante diferença para o professor porque nem sempre chegamos à IA sabendo exatamente o que queremos produzir. Às vezes precisamos de alguém. Ou, nesse caso, de uma IA para ajudar a pensar.

O ChatGPT também consegue trabalhar com PDFs, documentos, imagens e outros arquivos, pesquisar informações atuais na web e realizar pesquisas mais aprofundadas envolvendo múltiplas fontes.

Para mim, porém, seu potencial pedagógico aparece especialmente quando existe interação e refinamento.

Você cria uma atividade.
Percebe que ficou difícil.
Pede para adaptar.
Acha que simplificou demais.
Solicita uma nova versão.
Inclui uma turma específica.
Muda a estratégia.
Cria uma rubrica.
Transforma em jogo.
Pede as imagens.
E vai construindo o material em diálogo.

Eu tenderia a escolher o ChatGPT para:

  • planejar uma sequência didática;
  • transformar uma ideia inicial em uma atividade completa;
  • criar estudos de caso, investigações, jogos e situações-problema;
  • adaptar uma atividade para diferentes níveis de aprendizagem;
  • analisar e melhorar uma atividade que já existe;
  • elaborar rubricas e instrumentos de avaliação;
  • trabalhar com dados e planilhas;
  • pesquisar um assunto e comparar fontes;
  • gerar ou editar imagens para materiais didáticos;
  • desenvolver projetos que exigem várias etapas de refinamento;
  • pensar junto quando eu ainda não sei exatamente qual será o produto final.

Outro recurso interessante para educação é o Modo de Estudo, pensado para conduzir a aprendizagem por perguntas, explicações graduais e verificação da compreensão, em vez de simplesmente entregar uma resposta pronta.

Isso abre uma discussão importante para quem pretende utilizar IA também com os alunos.

Quando eu abriria o Gemini

Agora imagine que boa parte da sua vida profissional já acontece dentro do ecossistema Google.

  • Google Drive.
  • Docs.
  • Slides.
  • Gmail.
  • Planilhas.
  • Forms.
  • Classroom.

 

Nesse cenário, o Gemini começa a ficar particularmente interessante.

Eu o vejo como uma opção muito forte quando IA e ecossistema Google precisam conversar.

Um exemplo simples: você está trabalhando com documentos e materiais que já estão no Drive ou pretende levar o resultado rapidamente para um Documento ou Apresentação Google.

O Gemini também possui o Deep Research para pesquisas mais complexas e atuais. Dependendo da conta e dos recursos disponíveis, essa pesquisa pode utilizar diferentes fontes, incluindo Pesquisa Google, arquivos e conteúdos do próprio ecossistema Google.

E quando eu abriria o Gemini Notebook?

Aqui está a diferença que considero mais importante.

Se você me disser:

“Tenho uma ideia e quero desenvolvê-la.”

Provavelmente eu começaria pelo ChatGPT ou Gemini.

Mas se disser:

“Tenho estes materiais e quero compreender, explorar ou transformar exatamente este conjunto de fontes.”

Eu pensaria imediatamente no Gemini Notebook. Essa diferença parece pequena, mas muda completamente o fluxo.

Você pode inserir suas fontes e conversar com aquele conjunto de materiais. O Gemini Notebook consegue responder a perguntas fundamentando-se nas fontes e permitindo retornar ao material utilizado.
Para professores, isso é extremamente interessante.

Imagine colocar em um notebook:

  • uma apostila;
  • um documento curricular;
  • três artigos;
  • uma apresentação;
  • um texto complementar;
  • e materiais que você pretende utilizar em uma sequência didática.

Agora você tem um ambiente dedicado àquele conjunto de conhecimento.

Mas parar por aí seria subestimar muito o Gemini Notebook atual.

A ferramenta consegue transformar as fontes em diferentes formatos para explorar e comunicar o conhecimento, incluindo recursos como Audio Overviews, Video Overviews, mapas mentais, relatórios e apresentações, entre outras possibilidades disponíveis no Studio.

E isso abre possibilidades pedagógicas enormes.

Você pode pegar um conjunto de materiais sobre mudanças climáticas e gerar diferentes maneiras de explorar aquele conteúdo.

Ou utilizar documentos sobre genética para criar recursos de estudo.

Ou reunir materiais de formação docente e produzir versões diferentes para estudar, revisar ou apresentar aquele conteúdo.

Eu tenderia a escolher o Gemini Notebook para:

  • estudar profundamente um conjunto específico de fontes;
  • conversar com PDFs, artigos, documentos e outros materiais;
  • localizar informações em documentos extensos;
  • comparar diferentes fontes;
  • transformar materiais em recursos de estudo;
  • gerar mapas mentais;
  • produzir Audio Overviews;
  • criar Video Overviews;
  • gerar apresentações e outros materiais visuais a partir das fontes;
  • montar um espaço de consulta sobre determinado conteúdo;
  • trabalhar quando a fidelidade ao material de referência é especialmente importante.

E aqui está uma distinção que eu gostaria que você guardasse:

ChatGPT e Gemini podem trabalhar com arquivos. O diferencial do Gemini Notebook não é simplesmente “aceitar PDFs”.

O diferencial é colocar as fontes no centro da experiência.

Então qual é melhor para criar uma aula?

Depende.

Eu sei que essa resposta é irritante. 😂
Mas é a resposta correta.

Se estou começando com uma ideia e quero desenvolvê-la:

ChatGPT ou Gemini.

Se quero pesquisar informações atuais antes de planejar:

ChatGPT ou Gemini, utilizando seus recursos de pesquisa.

Se meus materiais e meu fluxo já estão fortemente concentrados no ecossistema Google:

Gemini ganha relevância.

Se possuo um conjunto específico de fontes e quero que meu trabalho permaneça fortemente ancorado nelas:

Gemini Notebook.

E existe uma quarta possibilidade que considero ainda mais interessante:
usar mais de uma ferramenta no mesmo fluxo.

O fluxo que eu acho mais poderoso para o professor

Vamos imaginar que preciso preparar uma sequência sobre vacinação.

Eu poderia começar reunindo documentos confiáveis: materiais oficiais, artigos, textos e dados.

Colocaria esse conjunto no Gemini Notebook para compreender melhor as fontes, identificar conceitos importantes, comparar informações e explorar relações entre os materiais.

Depois poderia levar os principais achados para o ChatGPT e pedir:

“Com base nestas informações, quero construir uma investigação para meu 7º ano. Os estudantes receberão dados sobre queda da cobertura vacinal e precisarão propor ações para uma comunidade.”

Agora estou usando outra IA para transformar conhecimento em experiência pedagógica.

Se meu trabalho estiver concentrado no Google Workspace, posso usar o Gemini para continuar esse fluxo, produzir materiais e trabalhar dentro dos aplicativos Google.

Percebe a mudança?

Apergunta deixa de ser:

“Qual IA é melhor?”

e passa a ser:

“Qual ferramenta resolve melhor esta etapa do meu trabalho?”

Essa, para mim, é uma pergunta muito mais inteligente.

A melhor IA ainda pode produzir uma aula ruim

E preciso terminar com esse lembrete.

ChatGPT pode criar uma atividade lindíssima que exige pouquíssimo pensamento.

Gemini pode produzir uma apresentação visualmente incrível que transforma o aluno em espectador.

Gemini Notebook pode gerar um excelente resumo de um material que o estudante nunca precisará realmente compreender

A ferramenta não garante qualidade pedagógica.

Antes de usar qualquer resultado produzido por IA, eu continuaria fazendo as mesmas perguntas:

O que meu aluno fará com isso?

Porque talvez a competência mais importante do professor na era da Inteligência Artificial não seja saber usar todas as ferramentas.

Seja saber quando usar cada uma, e quando nenhuma delas é necessária.

Beijos da profe.

Patricia Galvão

OBS: As imagens que ilustram esse post foram elaboradas com ajuda do Gemini, ChatGPT e Gemini Notebook.

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